Brasil – Troca de Treinadores é reflexo da desorganização!

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Seu time não ganhou no final de semana e de forma impaciente a reação é criticar todos os treinadores que passam por ali. Esta ideia que muitos têm conjuntamente, fazendo um estádio inteiro cantar, protestar ou em casos extremos gerar “quebradeira”, cobranças contra todo o elenco ou violência. Será que a troca de treinadores realmente gera resultados?

De acordo com o livro Os números do jogo, do autor Chris Anderson, a resposta é não para a troca de treinadores.

As estatísticas colhidas através de muitas décadas, apontam que todo time tem durante um ano ou uma temporada um período de resultados irregulares, cujo ápice da perda de pontos atinge um percentual alto e culmina com a respectiva substituição de treinadores.

Entretanto, alguns clubes optam pela manutenção do mesmo e a comparação entre as agremiações que tomam caminhos diferentes, mostra o mesmo índice de pontos conquistados nas rodadas futuras. A diferença é que muitas vezes, as vitórias aparecem de forma mais distribuídas para quem dá chance de trabalho a longo prazo. Já para os clubes que trocam, existe aquele “placebo” imediato, pois as vitórias aumentam nas rodadas seguintes.

Isto significa, no final das contas que a média de pontos permanece, quase que inalterada.
Portanto, xingar, agredir, invadir centro de treinamentos é uma atitude hostil e que certamente deveria culminar em prisão ou como em alguns países europeus, resultar em punição ao clube, quando este não mostrar segurança, mas também ao próprio torcedor. Este na Europa, dependendo do que aprontar tem que se apresentar duas horas antes do jogo de seu clube na delegacia e sair apenas duas horas após o apito final.

Este tipo de reação seria interessante, caso o causador da desordem saísse um dia de seu trabalho e desconhecidos estivessem a frente de seu escritório, pronto para vaiá-lo, xingá-lo e cobrá-lo com veemência por ter perdido uma promoção ou porque a empresa concorrente teve um resultado melhor.

O Jornal inglês The Economist, a média de tempo de um treinador na Alemanha é de 1 ano e 2 meses, já na Espanha 1 ano, na terra da Rainha, 11 meses e no Brasil, míseros 5 meses. Na França, o recorde de 1 ano e 4 meses, já levou algumas edições do seu campeonato a fazer a troca de treinadores apenas após as 18 rodadas iniciais, isto significa um turno todo sem mudança.

Mencionando recordes, Sir Alex Ferguson ficou 27 anos no Manchester United e apesar de ganhar 38 títulos, na temporada em que chegou a Old Trafford, conseguiu apenas uma vitória fora de casa e um modesto 11ºlugar. Imagine se o comandante fosse substituído no ano de 1986. Certamente a história desse clube seria bem diferente no final da era em 2013. Arsène Wenger no Arsenal, caminha para 20 anos de clube, algo memorável, já que os Gunners, tiveram resultados irregulares em muitas temporadas.

No Brasil, a média mencionada equivale a 15,2 jogos para o treinador, enquanto que na Itália, onde também existem alterações constantes o valor é menos injusto: 40,6 jogos. Um grande abismo entre um país e outro, não é verdade?

Dentre os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro, apenas Dorival se mantém no Santos desde janeiro, o técnico aliás sugere mais cursos ou maior carga horária para que se tenha uma licença de trabalho. A ideia é interessante, pois os temas Modelo de Jogo, identificação com a torcida, desenvolvimento base e profissional são deixados para trás. O Santos aliás exibe um futebol, aliando desenvolvimento técnico, tático e individual, colocando uma verdadeira safra de jovens na sua categoria principal, conseguindo ainda o feito de chegar em todas as finais do Sub-11 ao Sub-20 nos Campeonatos Estaduais de 2015.

Outros exemplos positivos são Maurício Barbieri (completará 3 anos no Red Bull Brasil) e Jorginho (Há um ano no Vasco).

Nesta temporada foram 20 trocas de treinadores, porém apenas Flamengo e Botafogo subiram na tabela de classificação, as demais equipes ou mantiveram sua colocação ou perderam posições.

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