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30/11/2016
Futebol Moderno – Tecnologia “Vestível”
01/12/2016

A entrevista deste mês é com um dos técnicos mais experientes, modernos e talentosos do Brasil! Estamos falando de Roberval Davino, certamente a escolha certa para clubes que pretendem brigar pelo título do Campeonato Estadual.

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Também, não seria exagerado dizer, que quando o time que vocês torcem nas principais divisões do Campeonato Brasileiro, seleciona um técnico do “vicioso ciclo” do futebol e você se retorce de raiva, por saber que aquele profissional não realiza bons treinos e é “arrogante”, pense no nome de Roberval Davino, a antítese desses defeitos!.

Homem de caráter, tranquilidade e honestidade, valoriza os atletas das categorias de base, utiliza a filosofia de Jogos Reduzidos dentro de um Modelo de Jogo que acredita, moderno e adepto do trabalho da Análise de Desempenho e comissão técnica multidisciplinar. A característica mais estrondosa de Davino, é que ele assiste a jogos e cria seus treinos, “a partir do resultado final da equação”, portanto, nada é copiado.

Muitas vezes, o fato de salvar times do descenso, causou uma fama de herói no treinador, mas a curto prazo, o que pode ter atrapalhado convites para projetos mais sérios e coesos com início, meio e fim. Futurista, acreditamos que Roberval venceu muitas dificuldades por ser um homem que vive o futebol, anos a frente do que está “se passando”!

Roberval Davino, treinador desde 1984. São 32 anos de sua vida na função. Qual é o momento mais marcante na carreira?

Em todo este tempo como técnico, tenho duas situações marcantes em minha carreira: A Primeira quando retornei do Japão e conseguimos o título Goiano pelo Vila Nova em 3 jogos decisivos com mais de 60 mil pessoas, por jogo, no Serra Dourada, tirando o Vila de uma fila de mais de 10 anos sem título. A outra lembrança marcante, foi o título brasileiro da Série C com o Remo, cuja torcida teve um envolvimento fantástico, algo sem igual, o que “incendiou” o Estado do Pará, e por esta conquista, até hoje, seus torcedores sempre lembram deste acontecimento, incluindo a confecção de um livro, que faz uma narrativa simples, mas, histórica.

Durante todo esse tempo o senhor teve aprendizados e alguns dos seus pontos fortes são o equilíbrio, o respeito e a forma como trata todos ao seu redor, funcionários e atletas, mesmo nas adversidades. Essa gestão de grupo foi algo que veio de forma natural desde o primeiro clube ou o senhor desenvolveu através de estudos de gestão de grupo e vivência?
Em relação ao meu jeito de ser, tem muito a ver com índole, acrescida com convivência familiar e boas escolas estaduais no período estudantil. Portanto, foi a base que tive e juntei é claro, a um curso Universitário e algumas especializações na área do futebol.
O equilíbrio então foi uma coisa necessária em consequência das diversidades de grupo em que convivi, tanto como atleta e principalmente, no começo de carreira em equipes cheias de dificuldades em todos sentidos.
O gosto por leitura também me ajudou bastante e busquei nos livros, como liderar, aliado a biografias e contatos com alguns técnicos que serviam como exemplos.
Acho que é fundamental, para qualquer técnico no comando de seu grupo, saber administrar egos de Atletas, Dirigentes, Funcionários e se obtiver sucesso com respeito e consideração, você passa a ter este plantel consigo, de uma forma geral e democrática sob sua “tutela”.

A experiência como jogador, auxilia um treinador a realizar trabalhos melhores? Quais são as vantagens de ser um treinador que também tenha sido jogador?
A experiência como atleta te dá algumas vantagens, como: Vestiário, Palestras, Demonstração de trabalhos, Leitura de participação do atleta nos treinos(“Os Migues”); Sua interpretação de situações de jogo, além do conhecimento dos trabalhos de alguns de seus técnicos enquanto jogador, que, se bem observados servem de requisitos para algumas situações.
Dependendo de seu grupo, às vezes, com muitos “malandros”, eles te testam em relação a leitura tática ou comando, se passa ou não confiança, incluindo seus conceitos de futebol.
Acredito que hoje existem condições de preparação para uma pessoa independente de ter jogado ou não, conseguir comandar uma equipe e ter as condições necessárias de conhecimento e liderança, alcançando resultados…
Não existem receitas, por isso, tivemos grandes técnicos com êxitos e ao mesmo tempo temos grandes atletas que não conseguiram vencer como técnico. Portanto é um debate sem fim, porém, acredito que a busca pela inclusão de um conteúdo teórico ajuda na qualificação dos técnicos atuais.

Os seus treinos sempre foram considerados modernos; a sua metodologia é baseada na didática e dinâmica dos pequenos jogos e atividades reduzidas. O senhor sempre foi muito avançado. Quais são suas referências para a criação de treinamentos?
Em relação aos meus treinamentos, sempre busquei que minhas equipes tivessem a posse de bola, sem um futebol de funções, gerando rotatividade. Sendo assim, nos jogos, ao acontecer alguma jogada bem construída e que me agradava, eu a levava para os treinos da semana, aplicando a esta jogada uma metodologia, principalmente pelo processo didático da repetição, transformando os treinos com exercícios novos, que nos propiciava condições de executar esses conceitos nos próximos jogos.
Minhas ideias de jogar nasceram com alguns técnicos que tive, eles possuíam bons repertórios de treinos, agregados a muitos livros, alguns cursos, muitos jogos assistidos e trabalhados, gerando boas ideias de treinos motivantes e modernos para qualquer grupo de atletas.

Já que estamos neste tópico, poderia nos contar como funciona a montagem da sua semana de treinos, a sessão em si e a organização?
Em relação a uma semana de trabalho, depende muito em qual semana ou fase se refere. Porém, procuro, sempre trabalhar correlacionado com minha maneira de jogar, ou seja, meu modelo de jogo são referências para todo treinamento.
Busco muito priorizar as necessidades do atleta por suas funções. Não esqueço do aperfeiçoamento de algumas técnicas generalizadas ou especificas das funções individuais do grupo dentro de situações de jogo, inclusive em setores, aonde busco estratégias, gerando estímulos específicos para crescerem em momentos como: 1×1, 2×1, contra-ataques, etc.

Dentro da sua dinâmica de trabalho, sempre moderna, é do nosso conhecimento que o senhor gosta de utilizar a Análise de Desempenho, qual a importância desses estudos para o treinador em seu cotidiano?
Em relação ao analista, desde quando nem se falava a respeito da profissão aqui no Brasil, eu já buscava em meus auxiliares, avaliações dos treinamentos, como também o máximo que podia de conhecimentos dos adversários.
Dentro do possível, buscava saber da base que jogava, quem estava fora por cartões ou contusões, os pontos fortes com bola em movimento, os atletas mais perigosos, as bolas paradas, quem as batia e suas movimentações.
Enfim, dentro das limitações de cada época, estávamos tentando diminuir as surpresas dos adversários. Já nos últimos trabalhos, tivemos os cuidados de termos analistas na equipe o que qualifica bastante o trabalho, além de dar subsídios de conteúdos reais ao grupo.

Em sua carreira suas passagens em clubes já somam 45 agremiações. Mas por onde passou seu talento te ajudou a fazer bons trabalhos. Acredita que a falta de projetos sérios ou de mentalidades a longo prazo prejudicam o futebol brasileiro?
Para o momento atual do futebol, velo com esperança, que os clubes se tornem profissionais com projetos coerentes, seguindo suas metas, valorizando os profissionais das áreas. Que as equipes, não sejam, o time do presidente que manda e desmanda. Ás vezes, em jogos em que perdem, entram bêbados no vestiário e demitem qualquer profissional e ainda de comunhão com alguns repórteres de pouco conteúdo, direcionado por esses.

Houve uma situação na sua carreira onde chegou a dirigir 2 times quase que simultaneamente. Poderia nos contar quais foram e como que ficou sua rotina naquela época? Conseguiu atingir as metas propostas?
Em relação a trabalhar em duas equipes, trabalhei em duas divisões diferentes, Mirassol na A2 e Araçatuba na A1, no mesmo período.
Foi comigo que o AEA foi campeã e subiu para A1 do Paulista e naquele ano os 4 piores disputavam um torneio, onde dois cairiam para A2. Enquanto o Mirassol já estava classificado para o octogonal decisivo, o presidente da AEA solicitou ao Mirassol que o ajudasse e me liberasse, pois os jogos do rebolo seriam só nas Sexta-Feiras de noite, e o Mirassol só jogava no domingo. Sendo assim, foi feito o acerto. O AEA se salvou no rebolo, já o Mirassol brigou muito para subir. Só que ao retornar do AEA, eu não fiquei para o Octogonal, pois o Juventus estava pra cair na A2 e tinha uma parceria com o Mirassol. Outra vez ajude a salvar mais uma equipe. Cansativo, porém, foi legal como experiência, embora, fiquei com este rótulo.
Por isso, trabalhei muito em equipes que estavam próximas de descensos e isso atrapalhou bastante minha carreira, pois, alguns clubes, “nem Jesus Cristo” as tiraria dessa condição.

Já que estamos comentando dos problemas. O calendário atual não é nada benéfico aos atletas. Qual seria a sua sugestão para uma melhor organização?
Em relação a calendário, hoje quem manda no futebol são as TVs, que têm como objetivo maior o lucro, por isso, temos jogos todos os dias.
É quase impossível, qualquer equipe, por melhor grupo e profissionais que tenham, qualificarem-se para manter um nível de excelência ao jogar tantos jogos, todos os horários e dias, além das viagens desgastantes, sem tempo de recuperação.
Na minha opinião, o futebol brasileiro, precisa fortalecer os Estaduais. Infelizmente, o que vejo é a grande maioria da imprensa, querendo acabar com esses torneios.
Vejo, até como sair um pouco da ideia de copiar o calendário Europeu, focando um fortalecimento na América do Sul, até para preservar mais as nossas revelações, nas competições regionais, Nacionais e Continentais.
Futebol também gera emprego e não podemos ter tantos desempregados a partir de Março de cada ano, e as televisões, passando jogos de campeonatos estrangeiros ou de apenas determinados “centros”.

Recentemente, Geninho disse que treinadores mais antigos estão sendo preteridos pela nova geração, pelo quesito idade, o senhor concorda que esse critério tem ajudado ou atrapalhado alguns?
Estão misturando a idade com conhecimento, como também a terminologia atualizada ao Futebol, como sendo a receita pra saber deste esporte.
Acho importante, os cíclicos em muitas profissões, porém,o contexto, independe de idade e sim de conhecimento.
Sou muito crítico de quem analisa o futebol, sem conhecer o seu dia a dia. Quem só aparece no dia do jogo e “faz bico” na área, querendo determinar paradigmas a serem seguidos. É difícil de entender como há seguidores desta doutrinação.
Também, que a cobrança por atualização na área, está sendo direcionada, apenas, para os técnicos com mais idade, o que é diferente de ter conteúdo.
Quando falo de atualização, falo de quem o analisa e das opiniões, sem nenhum conhecimento ou vivência do cotidiano de um clube. Tendo desconhecimento, sobre treinamentos, tática, técnica e etc.
Para os técnicos é fundamental, que haja espaço no mercado de trabalho, mas os Estaduais e Regionais acabam cedo. A região Nordeste está bem organizada, mesmo com pouquíssima datas.
Outra situação que atrapalha, é ter o tempo para aplicar a terminologia atual, para os mesmos atletas, que sofrem sem escolas ou ensino privilegiado, para entenderem o que é: Profundidade, amplitude, jogar na vertical e tantas situações, que se não souber transmiti-las na pratica, fica difícil.
Já os dirigentes são bem despreparados. Você olha uma dispensa de técnico na decisão! Será que não houve tempo pra perceber durante o trabalho, se o perfil do profissional se encaixava com aquilo que buscavam?
São inúmeros tópicos para serem discutidos, porém, como em todo setor, só os notáveis são escutados.

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