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A entrevista exclusiva que Vagner Mancini nos concedeu é brilhante! Falando sobre formas de treinamento, modelo de jogo, aspectos culturais ou regionais de cada clube e ainda a regulamentação da Lei que dará respaldo aos treinadores, nos percebemos que Mancini transpira inteligência!
Mantendo nossa ideologia, evitamos questionamentos que podem deixar o conteúdo dessa entrevista “antigo em pouco tempo”, principalmente por causa do perfil moderno de Mancini, mesmo assim, também perguntamos sobre a Chapecoense.
O homem que “respira” futebol jogou no Guarani, Portuguesa, Bragantino, Grêmio, Coritiba, Ponte Preta, Sãocarlense, Ceará, Figueirense, Sport, Ituano e Paulista, onde também começou como treinador, a convite de Pitico, vice presidente.
Nesta época, o time jundiaiense jogava a Série B do Brasileirão e acabara de ser vice-campeão paulista de 2004, assim, o começo na nova função foi estrondoso, Campeão da Copa do Brasil, eliminando Juventude, Botafogo, Internacional, Figueirense, Cruzeiro e Fluminense, todos da 1ªDivisão!
Seguindo sua caminhada – Al-Nasr (Emirados Árabes), Grêmio, Vitória (Bicampeão Baiano), Santos, Vasco, Guarani, Ceará (Campeão Estadual), Cruzeiro, Sport, Náutico, Atlético-PR, Botafogo e Chapecoense fizeram parte da trajetória.
Antes da divulgação do conteúdo, agradecemos em especial a Gabriel Goto, antigo assessor de imprensa e supervisor do Paulista de Jundiaí, que ajudou nesta entrevista. Gabriel foi um dos melhores profissionais dos tempos áureos do clube.
Mancini, tanto como atleta, como treinador, foram vários momentos inesquecíveis que o futebol te propiciou. Existe algum mais marcante para você?
Vivi momentos inesquecíveis na minha vida no futebol, destaco dois títulos que marcaram minha carreira, Campeão da Libertadores como jogador pelo Grêmio em 1995 e Campeão da Copa do Brasil em 2005 pelo Paulista.
Em relação a Copa do Brasil, conquistada pelo Paulista, o que a equipe tinha de especial? A partir de qual momento a “chance eminente” de título tornou-se uma realidade comentada e consolidada dentro do clube?
Não éramos um time, éramos muito mais, éramos uma equipe! Trabalhávamos juntos, vivíamos o clube com intensidade e isso se traduzia em campo.
Quando ganhamos do Inter em casa nos pênaltis, constatamos que tínhamos time para vencer qualquer adversário, afinal o Inter era naquela oportunidade um dos três melhores times do Brasil.
Atualmente, os treinadores brasileiros sofrem com a constante mudança dos clubes. De qual forma a Federação Brasileira dos Treinadores de Futebol, pode colaborar, diminuindo essas demissões ou processos seletivos sem critério?
Aprovando a *lei 7560/14, onde dará ao treinador o respeito necessário num mercado que só enxerga o técnico como culpado, mudando aos poucos uma cultura retrógrada.
*No final desta matéria disponibilizamos a lei em questão

Caso pudesse colocar algum regulamento, limitando a troca de técnicos, qual sugestão aplicaria?
Em nosso projeto há limites de troca para treinadores, não sendo permitido o mesmo treinador trocar de times na mesma competição, porém, se demitido, o clube deverá pagar o contrato na íntegra, existindo também exigência para contrato assinado e registrado nas federações e na CBF.
Atualmente, um profissional do futebol moderno, precisa se atualizar constantemente. Existe a preocupação para formar pessoas mais capacitadas através das ideias que falamos?
Sim, o projeto também consta a obrigatoriedade da qualificação de tempos em tempos, isso atualiza o treinador e melhora o esporte.

Como criou sua própria metodologia de trabalho? Muito se fala sobre treinamentos dinâmicos e reduzidos que hoje são aplicados, mas que já faziam parte do seu repertório de sessões a quase uma década atrás.
Minha metodologia foi construída ao longo do tempo. Quando assumi o Paulista em 2004, já pedia aos meus atletas que compactassem em campo, reduzindo o tamanho do campo de jogo.
Em conversas que eu tinha com Mauro Silva, meu amigo dos tempos de atleta, captei muita coisa que o Deportivo La Coruña fazia na Espanha num período onde enfrentou de frente poderosos como Madrid e Barcelona. Isso era novo no Brasil e conseguimos surpreender muita gente.
Na periodização, consideramos você um treinador a frente do tempo. O que mudou nos treinamentos nesses últimos anos no futebol em geral e o que também melhorou naturalmente, na sua elaboração de atividades, mesmo com você sempre participando de equipes do topo do futebol?
A metodologia de treinamento vem evoluindo bastante com o tempo, antes o treino era analítico, separavam-se técnica, de tático e de físico. Depois vimos o treinamento integrado, onde a evolução foi enorme, contribuindo para que a intensidade do jogo aumentasse.
Hoje em dia o treinamento passou a ser sistêmico, onde a intensidade é o ponto forte, porém com aspectos emocionais envolvidos e situações de jogo vividas em treinamento.
É necessário cuidado com a aplicação de alguns conceitos de jogo, considerando os aspectos culturais de países diferentes ou até mesmo de regiões distintas dentro de um mesmo território extenso como o Brasil?
Claro! Cada time tem uma cultura e um perfil diferente, o que dirá um país, onde o clima, os campos e a cultura é bem complexa. Por exemplo, você não consegue fazer do Grêmio um time técnico, onde a posse de bola seja o ponto forte. A torcida e o ambiente do clube exigem um perfil guerreiro, de raça, de luta constante, que jamais se entrega.
Considerando apenas as questões teóricas – Qual o caminho ideal para encontrar os padrões que deseja, caso pudesse escolher entre ter um grupo já formado e o modelo adaptar-se aos atletas ou contratar jogadores dentro de um perfil de jogo desejado?
Encontrar um padrão de jogo não é fácil, exige treinamento árduo e muita comunicação, para que se ganhe tempo. Quando você escolhe os atletas sua chance aumenta, porém nem sempre isso é possível. Um grupo já formado representa em tese uma maior chance, mas quem determina isso na verdade, é o cognitivo dos atletas de alto nível.
Dentro do conceito de Modelo de Jogo, o que pretende inserir na Chapecoense?
Pretendo em primeiro lugar montar um elenco capaz de absorver rapidamente as nuanças emocionais que possam aparecer, um time que saiba canalizar energias e transformar em força. Nenhum técnico na minha opinião, deve estar preso a modelo de jogo, e sim montar diante das características do elenco que tem nas mãos.
Além dos próprios torcedores da Chape, os fãs das demais equipes, certamente terão um carinho especial pelo clube. Acha que este aspecto externo, pode influenciar positivamente? De Qual Forma?
Com certeza teremos apoio vindo das arquibancadas rivais, mas tudo tem um período, depois disso voltaremos a ser a Chape, adversária do time tal. A influência externa pode ajudar ou não, depende da sua capacidade de absorção e principalmente da competitividade desenvolvida em campo.
Agradecemos Vagner Mancini pela entrevista exclusiva, agregando ainda toda nossa admiração pelo treinador, tão competente, porém com tempo escasso devido aos compromissos profissionais, consentiu em dividir seu conhecimento e nos ensinar, mesmo em um site na fase de expansão, cujo objetivo é educar e aproximar de forma eclética profissionais, torcedores, admiradores, difundindo e propagando o desenvolvimento do esporte!
Vejam o conteúdo que pode melhorar o futebol brasileiro, assim como a vida dos clubes, mas também dos treinadores, tão injustiçados nas questões das carreira ou vertentes de seus trabalhos!

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