Ito Roque – Um exemplo de identidade no futebol brasileiro!

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O técnico Ito Roque é o entrevistado da vez pelo portal Mazzuia. O comandante experiente, estudioso e por consequência muito atualizado, contou um pouco de sua trajetória e falou sobre a forma de detectar os jogadores ideais para montar um plantel competitivo e adequado ao torneio que um clube disputará.

Ito Roque é o técnico do Villa Nova-MG para o ano de 2018, mantido após uma expressiva campanha na Série D do Campeonato Brasileiro. Reconhecido pelos seus títulos estaduais em São Paulo, a decisão do clube mineiro foi positiva, pensando a curto e longo prazo.

Você foi jogador e teve passagens pelos mais variados clubes, até no exterior. Essa vivência te ajuda na gestão de grupos e nos relacionamentos com atletas na função de treinador?
Ter sido atleta profissional me ajuda muito na vivência atual como Treinador, pois, consigo mensurar melhor cada situação que envolve o grupo de jogadores, diretores, torcida, imprensa, etc… Procuro tratar todos com lealdade, propondo uma disputa pela posição de titular com honestidade, mas com muita competitividade.

Quando falamos de futebol internacional, sempre há comentários sobre cultura e tendências no Modelo de Jogo. Em um país grande como o Brasil, há diferenças entre estados? De quais tipos?
Comentários sobre cultura e modelo de jogo está em alta nos dias de hoje, já trabalhei em diversos estados, tais como: São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Minas Gerais, as vezes disputando campeonatos estaduais e outras os campeonatos nacionais.
A globalização através principalmente da Internet e TV’s, fazem com que as mesmas coisas sejam realizadas principalmente no futebol em todo o Brasil de forma semelhante, ou seja, estrutura física, modelo de gestão, modelo de jogo, etc…
A única percepção que vejo em todos os estados pelos quais passei, é a facilidade com que os clubes rodam os mesmos atletas por várias temporadas no mesmo campeonato, talvez pela comodidade em não pagar transferência para as outras federações.


Você acredita que o futebol atual está “monótono” no Brasil? Há muita “cópia” daquilo que é feito lá fora, diminuindo nossa identidade?
Eu não acredito na cópia lá de fora (estou falando por mim), eu particularmente procuro saber o que eu tenho em mãos em termos de atletas, perfil, características e com isso monto meu plano de trabalho, meu sistema de jogos com variações, meus treinamentos com transições ofensivas e defensivas, mas acho que para não perdermos a nossa raiz precisamos melhorar a qualidade nos trabalhos técnicos e táticos nas categorias de base, dando aos profissionais (Treinadores) condições de fazer cursos, aperfeiçoamento e capacitação para formar os futuros atletas.

Qual estilo de jogo marca a identidade dos times comandados por você?
Penso que o estilo de jogo é montado a partir do momento que detecto aquilo que tenho em mãos para oferecer dentro dos trabalhos, com as peças e características que temos para uma competição. Mas sou adepto a compactação do time, ou seja, você defende preparado par atacar e ataca preparado para se defender. Treino muito as transições ofensivas e defensiva sempre tentando não deixar espaços para os adversários. Gosto de fazer variações táticas, às vezes, sem fazer substituições, pois mudar a forma da equipe jogar sem trocar peças é sinal de bom trabalho durante a semana.

Há alguém que te inspire nos seus estudos e preparação?
Quando eu era jogador do AL ETEHAD, hoje o atual AL GARAFA – CATAR, eu tive um excelente treinador da Bósnia, chamado Djamal Hadjiablit, ele trabalhava a parte tática com muita intensidade, mas não tirava a liberdade de criação dos atletas. E eu achava isso muito importante e tento usar com muita frequência nas minhas equipes. Por isso costumo dizer que ele foi um dos melhores treinadores que eu tive e o tenho como espelho.

Mesmo em torneios onde há equipes que pensam em Modelo de Jogo e outras apenas querem um resultado imediato, o que é melhor? Buscar os jogadores e a partir do plantel feito, criar a identidade para o time ou selecionar quem se enquadra em ideias já existentes?
Quando eu trago atletas que já foram meus em outros clubes, facilita, pois eles já sabem a maneira que gosto de atuar e eu também já os conheço e sei o que posso tirar deles. Normalmente nos clubes considerados pequenos no Brasil, o início é do zero, pois a maioria dos clubes não têm como manter o elenco após os campeonatos, principalmente os estaduais. Mesmo assim procuro buscar atletas que já estou monitorando e se enquadram no meu perfil de trabalho.

Suas conquistas e acessos te renderam um grande reconhecimento, entre outros feitos. Acessos com Penapolense e Taubaté com direito a título na Série A3, são parte disso. Qual é o segredo para conseguir se manter sempre entre os melhores nas competições em que sua equipe participa?
Acredito que não temos segredo nas nossas conquistas, pois, são simplesmente trabalho, foco, planejamento e principalmente ideias que precisam ser trabalhadas e executadas. Realmente tenho tido vários anos de bons resultados ao longo da minha carreira. Tento ser o mais objetivo possível nas transmissões de trabalhos, palestras e treinos aos atletas para que eles possam entender aquilo que estou passando de uma forma clara e objetiva.

Falando em sucesso, a campanha com o Villa Nova foi muito positiva na Série D do Campeonato Brasileiro. Ir bem em competições distintas requer um “olho clínico” para escolher jogadores e montar plantel nas características do torneio. Qual a melhor forma de detectar e “pinçar” os atletas?
A montagem do plantel é essencial, talvez o trabalho mais importante para se ter uma competição com excelência e a possibilidade de bons resultados. Eu tento escolher os atletas com alguns critérios, ou seja, atleta de bom caráter, com boa dinâmica de jogo, sem histórico de lesões e dentro do perfil que pretendemos para cada posição.
Só como exemplo: Eu gosto de atletas com força, velocidade e dinamismo independentemente da posição que jogam, mas é lógico que para tudo temos exceções, um meia atacante leve, mas com habilidade e inteligência, não pode ser descartado.


O ano de 2018 começa recheado de expectativas? O Villa Nova renovou com você, propiciando um merecido espaço na elite do futebol mineiro. O trabalho foi bem feito, o futebol jogado também e os resultados mostraram bom equilíbrio. Apesar do acesso ainda não ter vindo, o clube teve um ato raro nos dias de hoje, fazendo valer a permanência, ao invés de “trocar”. Já é um passo que estão no caminho correto?
Posso te dizer que o Villa Nova A.C. – MG, está se estruturando dentro e fora de campo. Estão encaminhando dentro do CT que já é do clube, um hotel para alojamento de atletas das categorias de base e outra ala para a equipe profissional fazer as suas concentrações, com academia, piscina, fisioterapia, fisiologia, etc….além de estar quitando dentro do seu tempo as dívidas dos anos anteriores.
Já dentro de campo fizemos um bom final de campeonato Mineiro, mantendo a equipe na elite do futebol de Minas e realizamos uma boa competição dentro da Série D, chegando nas Oitavas de final, saindo com 10 jogos de invencibilidade, com uma das defesas menos vazadas da competição. Acredito que essa sequência será importante para ambos os lados, ou seja, Ito Roque e Villa Nova A.C.


Agradecemos pela entrevista e manifestamos a admiração que temos pelo seu trabalho, além de desejar sucesso ao Villa Nova em 2018!

Eu, quem agradeço a oportunidade de falar um pouco sobre a minha trajetória.
Um grande abraço,
ITO ROQUE

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