Saiba como a violência do futebol dentro de campo, afeta seu clube como marca!
09/04/2018
Aprovado! Estádio Ferreirão receberá jogos do Plácido de Castro na Série D do Brasileiro!
13/04/2018

O portal Mazzuia.com retoma a série de entrevistas com Danilo Minutti, auxiliar de Preparação de Goleiros do Palmeiras na categoria profissional. A ideia do nosso portal é conhecer um pouco sobre as funções dessa profissão e da sua evolução ao longo dos últimos anos.
Danilo Minutti, Obrigado pela possibilidade da entrevista. Você iniciou sua trajetória nas Categorias de Base do clube, pode nos contar sua trajetória?
Entrei em Junho de 2008 no Sub-11 e Sub-13, depois em 2010 a 2012 fiquei no Sub-15 e Sub-17 e a partir de 2013 assumi o Sub-20, já no final de 2014 comecei a fazer integração com o profissional junto ao Oscar (Preparador de goleiros do time principal). O Oscar teve uma lesão e auxiliei nos treinamentos até seu retorno, fazendo uma transição Sub-20 e Profissional, mas novamente fui chamado para ajudar pelo próprio Oscar, por causa que o Palmeiras chegou na final da Copa do Brasil de 2015 diante do Santos.
Eu sou canhoto e o adversário possuía muitos atletas com essa característica, logo, conjuntamente com o departamento de Análise de Desempenho e atendendo a demanda do técnico dessa temporada, Marcelo Oliveira, fizemos um trabalho que terminou com o título. Ainda dentro dessa rotatividade, saí de férias e voltei entre Março / Abril de 2016, desde então fiquei com o Oscar no profissional e fiz parte da equipe que também foi campeã brasileira 2016 sob o comando do Cuca.

Hoje como funciona a Metodologia da Preparação de Goleiros do Palmeiras, Danilo Minutti?
Um dos projetos que temos aqui é o Projeto Integração que tenta minimizar a transição (subida) entre categorias, onde realizamos avaliações de cunho físico, técnico, tático, feito com os treinadores da Base e com os goleiros, dentro dessa expectativa que minha vinda para cá gerou, já que tanto os respectivos treinadores, quanto os goleiros têm essa vontade de estar aqui também.
O Palmeiras tem tido vários goleiros convocados para as seleções do Brasil, desde a Base, são 7 goleiros nos últimos 3 anos, além dos próprios treinadores de goleiros. Eu tive a felicidade de ir para a seleção brasileira de base, o Rodrigo que atualmente está no Sub-17 também. Os resultados que temos colhido são bem expressivos, o Prass foi convocado com 39 anos para as Olimpíadas, apesar da infelicidade da lesão que entristeceu a todos nós.
Queremos sempre melhorar, quando se trabalha a médio / longo prazo, buscamos sempre realizar ajustes para evoluirmos nossas metas.

A sua vivência nas Categorias de Base, ajuda muito na linha metodológica do clube?
Perfeito, eles têm também contato com o Oscar, mas eu realizo o “link” mais direto com a Base, para que a gente possa caminhar na mesma linha, visando tirar dúvidas e além disso, nós todos nos reunimos pelo menos uma vez por mês (Rodrigo do Sub-20, Thalles do Sub-17, César do Sub-15 e o Rafael do Sub-11 e 13) para debater aquilo que vem sendo realizado, são profissionais de altíssima qualidade. Estamos muito contentes com o desenvolvimento dos nossos goleiros, os da categoria principal, também.
E a questão da altura do goleiro, Danilo Minutti, existe algum conceito limitante ou há equivalências (vantagens e desvantagens) entre mais altos e mais baixos?
Existem suas equivalências, nós não podemos negligenciar o mercado, se nós estamos falando de parâmetros, nossos próprios goleiros que estão aqui são nossas referências. Obvio que o que vai determinar são as capacidades físicas exigidas pelo goleiro, principalmente velocidade de reação, ações rápidas, tomada de decisão e quando falamos de estatura, temos outras coisas para avaliarmos, por exemplo, envergadura. Se um goleiro tem 1,85m e outro 1,90m, para o mercado em um primeiro momento na avaliação somente da estatura, sem aferir outros parâmetros como envergadura, por exemplo, corremos o risco de cometer algum equívoco.
Um exemplo é o Daniel Fuzato, tem 1,87m, não é uma altura que chame atenção inicialmente, mas a envergadura dele é de 2,02m, compensando na estatura. Na minha opinião, não existe uma altura ideal, você precisa analisar o mercado equivalente ao qual ele está inserido como referência e avaliar velocidade de perna, velocidade de reação, tomada de decisão, uma série de fatores.
O próprio atleta tem essa consciência, por exemplo, ele tem uma determinada estatura e sabe a altura dos demais goleiros da Série A do Campeonato Brasileiro, logo, ele já tem uma expectativa mais próxima da realidade do patamar que ele se encontra.
Quando eu jogava, também criei essa visão. Hoje, a forma como é conduzido o processo é um agente facilitador para que o próprio jogador perceba esse ponto e tome um outro caminho. Aqui nós não podemos ter goleiros apenas bons, mas sim buscar aqueles que atingem a excelência, logo não podemos negligenciar o que já possuímos para uma avaliação minuciosa.

Na categoria profissional, qual a importância do goleiro e seus pontos primordiais no modelo de jogo?
Eu diria que o goleiro é essencial na construção, se a gente fizer uma análise do jogo, as ações defensivas em comparação as ações ofensivas, são essas ações de reposição ocorrem muito mais dentro jogo, porém a gente não pode esquecer que o ponto principal é evitar o gol; defender. O ponto 2 é construção de jogo; uma boa reposição de bola. Hoje, o jogo com os pés é importante para o goleiro e nós cobramos muito, avaliando reposições curtas, longas, opção de passe, compactação.
O goleiro está inserido na construção, hoje não é somente 4-4-2, 4-2-3-1 e sim 1-4-4-2, 1-4-2-3-1, ou seja, é um jogo de estratégia que pode ser elaborado pensando no goleiro. Vamos relembrar que a primeira função do goleiro é defender, mas as ações ofensivas (com os pés), é um dos campos que mais evoluiu. O percentual de ações defensivas é muito menor do que as ações ofensivas. Como o goleiro precisa construir muito mais o jogo atualmente, em relação pedagógica é importante que o goleiro participe das atividades do treinador, desde o primeiro exercício para que ele se sinta à vontade para executar.
Muitos goleiros foram para o gol, porque tinham inicialmente uma dificuldade para jogar com os pés. Provavelmente, durante a trajetória deles, eles ouviram de alguém para tentar jogar no gol. O caso de atletas que desde o início sempre quiseram jogar no gol é mais raro. A partir do momento que o goleiro começa a ter confiança e se sentir à vontade para as ações ofensivas com os pés, isso facilita no processo final que é a chegada ao profissional.

Hoje as comissões técnicas montam conjuntamente as sessões de treino e periodizações, sem existir mais aquela imposição, logo é importante que o Preparador de Goleiros, participe dessa elaboração. Hoje, de maneira geral, acha que isso vem acontecendo mais e melhor?
É importante que o Preparador de Goleiros esteja presente, mas obvio que ele precisa ter a sensibilidade de até onde ele vai e a mesma coisa em relação a abertura que o treinador dá. Vejo que essa questão melhorou muito, principalmente na Base, no Profissional em muitas ocasiões há bastante auxiliares e pouca tentativa do Preparador de Goleiro em se aproximar do treinador.
Existe também a dificuldade de saber ler e interpretar o jogo como todo para atender a demanda do técnico.
Hoje não é apenas chutar bolas para preparar o goleiro, o treinamento precisa estar inserido em um contexto de jogo que envolva também as características do próximo adversário.
Muitas vezes, se o Preparador de Goleiros tiver essa dificuldade, é importante que ele participe e entenda dentro do técnico / tático, como determinado esquema funciona e aí sim contextualizar a atividade. Ao entender, é mais fácil analisar se o goleiro precisa ficar “mais dentro do gol”, fazer mais cobertura, construir mais com os pés e assim sucessivamente. Apesar de ter melhorado muito, reitero que o Preparador de Goleiros precisa entender mais o jogo.

Danilo Minutti, o Perfil Mental do Goleiro é treinável?
A personalidade é de cada goleiro, a gente consegue melhorar nível de confiança, aproveitar o que ele tem de bom, passar um suporte para que ele erre menos, passar positividade, evitando somente o feedback negativo. A gente pode corrigir, mas devemos focar nos aspectos positivos, porque foram essas características que fizeram ele progredir em sua carreira.
O fato de estar mais próximo do atleta, muitas vezes permite dar um suporte como ser humano, ou seja, extra campo, afinal o goleiro não é uma máquina, existe a pressão externa, como mídia e torcida, se nós colocarmos mais pressão, certamente não será positivo. Nós temos que andar juntos. O goleiro já sabe a responsabilidade que tem, é importante que ele viva essas pressão, mas através dos treinamentos também precisamos passar confiança e segurança. As correções podem ser passadas através de vídeos, relatórios, scouts ou seja com correções positivas.

O goleiro pode participar da sua própria avaliação e emitir opiniões?
Na Base os meninos têm um pouco mais de dificuldade para se auto avaliar. Normalmente, eu avalio, a gente senta junto com o atleta e explica porque a nota daquele quesito foi alta ou baixa e assim discute, para que o jogador crie autocrítica, quando chegar ao profissional. Na categoria principal já vejo uma maturidade muito grande, na base a gente precisa ajudar, dando feedback individual.
Uma outra forma é sentar com o atleta e analisar o vídeo de cada lance, perguntando o que ele poderia ter feito de bom ou em uma jogada positiva, mostrar que ele fez conforme havia sido instruído.

Danilo Minutti, você mencionou da sua participação na seleção brasileira de base. Um sonho para atletas e qualquer profissional do futebol. Pode nos contar um pouco dessa experiência?
Realmente é um sonho que se tornou realidade, é uma responsabilidade muito legal. Você acaba tendo um nível altíssimo de suporte e isso ocorreu através do dia a dai que faz a gente chegar lá.
No futebol a gente vive de conquistas diárias, além de trabalhar em um time excelente, os goleiros do Palmeiras foram para lá, logo, a relação é que se é um grande time com bons jogadores, os profissionais também possuem qualidade, assim houve a convocação por meritocracia. Espero poder continuar evoluindo, crescendo podendo ajudar as pessoas e assim construindo o conhecimento, porque o ensinar também gera aprendizado. Precisamos manter nossa busca incessante pelo conhecimento e também aliá-lo a prática.
A seleção trouxe isso, muito conhecimento, com o Amadeu (técnico da seleção brasileira Sub-20), enfim, várias pessoas que mostraram e permitiram debates também sobre a parte tática com grande riqueza de conteúdo.
O nosso patamar hoje é muito elevado, se criou muita distância na teoria sobre profissionais do exterior, mas os estudos, cursos, a constante capacitação e o empenho dos nossos trabalhadores no futebol, fazem com que o nível seja igual. Atualmente, quem sair do país, poderá fazer um grande trabalho no exterior.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *