Elison Azevedo – Presidente do Atlético Acreano

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O presidente do Atlético Acreano, Elison Azevedo, é um homem futurista. Se o Galo Carijó funciona como uma engrenagem, onde todos são importantes e se ajudam pelo sucesso do clube, o responsável também respira o dia a dia da agremiação.

Acompanha o time em viagens, treinamentos e está presente em cada detalhe. Elison Azevedo, deixa os funcionários trabalharem, mas monitora os setores. Um dos segredos dessa presença é a comunicação, contudo, o presidente também é preocupado com os demais clubes acreanos.

Seus projetos futuros, abrangem mais incentivo ao Esporte, tanto nas áreas de Lazer, quanto na formação e rendimento. A prática esportiva podem auxiliar no desenvolvimento do povo acreano em geral.

Através desses projetos, solicitamos esta Entrevista para Elison Azevedo, como forma de aprendizado e incentivo ao nosso portal.

A história do Atlético Acreano vem enraizada com a sua, já que você sempre viveu no esporte.
Poderia nos contar um pouco da sua trajetória?
Eu comecei nas categorias de base na Associação Recreativa Vasco da Gama, depois junto dos trabalhadores, fiz parte da criação do programa Recriança, há quase 30 anos ajudando o futebol na parte social. Posteriormente joguei como Zagueiro no Rio Branco, onde fomos 5 vezes campeão da categoria, mas saí, por falta de valorização da prata da casa.
Fui para o Vasco, onde consegui atingir a revelação do campeonato na posição. Depois retornei ao Rio Branco, fomos campeões do Norte em 1997, em pleno Mangueirão diante do Remo com mais de 30 mil torcedores.
Comecei a conciliar os estudos, formei em Educação Física e jogava futebol por hobby, mas machuquei e acabei sendo convidado pra ajudar o Atlético Acreano, devido a uma boa passagem como preparador físico do Independência.
Voltei aos gramados, recuperado, dessa vez como jogador do Galo, foi então que nasceu essa paixão e me encantei pelo Atlético, onde até hoje, busco ajudar!

Desde sua chegada no Galo, muitas coisas melhoraram, como foi feito esse resgate já nos tempos atuais? O que mudou recentemente?
Primeiro temos que agradecer a confiança do ex-presidente, Edson Izidorio, que deu oportunidade pra gente desenvolver esse trabalho. Ele organizou a estrutura do Galo, mesmo que mínima, mas é importante nós ressaltarmos isso. Junto a mim, há pessoas como o próprio Geison Morais (Diretor de Futebol / Administrativo), Álvaro Miguéis (Treinador) e alguns amigos que contribuíram para esse sucesso.
A gente trabalha com foco e o grande pensamento é valorizar a “prata da casa”, dando continuidade ao trabalho que o Álvaro começou. Os meninos do estado do Acre têm mostrado compromisso, futebol e seriedade, trazendo diferença nos resultados que aconteceram ao longo desses anos.
As coisas mudaram para melhor, mas a responsabilidade aumentou, porque precisamos trabalhar mais sério e focados, não só no crescimento do Atlético e sim por todo o futebol acreano.

O Atlético Acreano se preparou para subir, algo raro no meio do futebol, como isso foi feito? O acesso na Série D “bateu na trave” em 2016, entretanto foi consolidado em 2017…
Na verdade a gente acredita no trabalho e quando vemos algo sendo bem executado, nós percebemos que temos condições de ir mais longe. Então durante 2016, conforme você mesmo disse, batemos na trave, logo em 2017 era uma questão de honra buscar o acesso, subir mais um degrau de evolução no futebol acreano. Graças a Deus conseguimos trabalhar com pés no chão, mesmo com as dificuldades financeiras, buscamos a valorização que tanto ressaltamos para conseguir o sonhado acesso.
Hoje queremos ir mais a diante, utilizando os mesmos princípios.

Há algum segredo administrativo? Em recentes entrevistas você elucidou o apoio dos patrocinadores, mas ressaltou que gostaria de ter a torcida ainda mais perto. Apesar do acesso, o clube não aparece na mídia como um “gastador”. Os recursos realmente tem alguma restrição? Acredita também que o poder público em geral, poderia ajudar mais o Esporte Acreano?
Quanto a questão recursos financeiros, só podemos dar um passo com o tamanho das pernas, não adianta buscar ou formar elencos fora da nossa realidade. No Atlético, a gente trabalha com aquilo que tem.
Nessa temporada tivemos o dinheiro da Copa do Brasil, que é a premiação dada a CBF para participar da 1ªfase, juntamente com o patrocínio dos nosso amigos do Supermercado Araújo e da Unimed, que auxiliam a sustentar esse sonho de subir para a Série B, mesmo com as limitações descritas.
Atualmente, o Atlético sobrevive só com o repasse dos patrocinadores. Muitas vezes, a própria diretoria tira do bolso para completar e honrar os salários, minha esposa, Doutora Euracy Boner, eu, o Geison, que temos pago aos atletas.
A dificuldade é grande, não temos apoio maior do Governo, a gente vem buscando apoio da política para incentivar e motivar o crescimento do nosso futebol.
Precisamos estar focados para que isso venha a acontecer.
Uma das maneiras de conseguirmos manter o elenco, honrar os compromissos é o apoio do torcedor, do público em geral, daqueles que vão ao estádio, contribuem comprando sua entrada, levando mais amigos para prestigiarem.
Isso ajuda, pois cada centavo que entra, cada entrada vendida é investida no clube para ter êxito em honrar os compromissos assumidos.
Temos muito gastos e despesas, mas trabalhamos para poder sanar e cumprir os compromissos assumidos.
A receita gerada através da renda, nos ajuda nesse sentido. Por isso que dizemos, trabalhamos com os “pés no chão”, gastando aquilo que temos, mas sem “dar um passo maior do que a perna”.


Utilizar garotos formados no Acre, entrosados há algum tempo e valorizar a base do Atlético, mostra execução de um bom planejamento. Dentro das devidas “restrições”, evitando ainda qualquer tipo de comparação, sabemos que poucos times no Mundo, conseguem essa projeção de carreira. Isso é um motivo de orgulho?

Com certeza nós temos orgulho do trabalho, da visibilidade e projeção que hoje o Atlético Acreano tem, é um trabalho árduo… Precisamos reconhecer e dar o devido valor as pessoas que estão a frente disso.
O Álvaro Miguéis precisa ser enaltecido, é um excelente técnico, ele é muito a frente do futebol local, ele pensa lá adiante, assim como o Geison que dá todo o suporte na parte clínica de reabilitação e recuperação dos nossos atletas, por fim, eu, para formar o “tripé” com a visão mais administrativa.
Esse “tripé” vem dando certo, porque valoriza e busca o crescimento do futebol acreano. Hoje, o Atlético Acreano é conhecido nacionalmente, isso é muito bom e certamente é motivo de orgulho para nós que estamos a frente desse trabalho.

Pensando no esporte como combate as drogas, criminalidade, prevenção de doenças e incentivo a cultura e educação, caso pudesse, quais seriam os seus objetivos para o povo acreano?
O papel do Esporte é fundamental na questão de promover e construir o caráter social. Uma sociedade e um povo se fazem e se fortalecem através da educação. Muitas vezes, as crianças não tem oportunidade de ir para escola ou não tem orientação e estrutura familiar, para poder guiá-la, mostrar os princípios morais e éticos de um cidadão.
A disciplina do Esporte contribui para que isso possa acontecer, contudo são necessários projetos voltados a construção de atletas, tanto para rendimento, quanto para a parte social, ocupando tempo e disponibilizando atividades de uma maneira geral, além do futebol.
Temos muito talento no nosso Estado e no nosso município. Só precisamos lapidá-los e trabalhar de uma maneira mais compromissada.
Através do futebol, precisamos unir o crescimento e também a descoberta de novos valores para o meio esportivo.

Pensando em um futuro para si próprio, falando do Acre de maneira geral, quanto o estado evoluiu até hoje? Quanto pode evoluir nos próximos anos? De qual maneira?
Como eu falei, qualquer evolução em um estado, município ou povo é através da educação. A educação compromissada pautada no crescimento e construção do caráter. Isso é o mais importante, temos que fazer projetos, sentar para debater entre poder público, políticos e comunidades carentes.
Essa conversa nos faz ver a melhor forma de planejamento para ajudar os locais de maior vulnerabilidade e zonas de perigo.
Atualmente, nosso estado está tomado pela criminalidade e violência. Eu enxergo que o Esporte ainda é a forma mais fácil de Educar. Educar pelo Esporte pode transformar uma população, seguindo a “velha máxima”:
Esporte é saúde, esporte é educação e esporte é lazer. O povo precisa disso (saúde, educação, lazer) e cultura acima de tudo.
Então devemos focar nessa área para o crescimento e construção de um povo mais focado, pacífico e saudável!

1 Comentário

  1. Nivea Azevedo disse:

    Exelente matéria! Acompanhamos de perto a luta diária da diretoria do atlético para honrar nao apenas os compromissos com sua folha mas com a confiança da sociedade e da torcida. Infelismente falta mais apoio do Estado ao atlético acreano.

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