Entrevista – Pablo Fernandez, Treinador do Bahia Sub-20!

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O técnico Pablo Fernandez está no Bahia desde o final de Fevereiro, mas já tem colocado seu nome na história do Tricolor. Em sua primeira competição, na categoria Sub-20, aconteceu a conquista do título Estadual.


O mais vistoso, além do troféu, foi a forma como o time juniores performou; futebol agressivo, intensidade na marcação, mas liberdade para o brilho dos talentos individuais, que constituem o todo do Esquadrão de Aço.

É com muita honra que agradecemos Pablo Fernandez pela oportunidade da entrevista.


Como foi sua chegada no Bahia? Houve alguma dificuldade de adaptação sua ou dos atletas ao seu estilo de jogo?
Fui muito bem recebido aqui. Desde a diretoria até o staff de apoio, eles me deixaram bastante a vontade e me ajudaram muito nesse inicio. Foi bem rápido esse processo de adaptação, em poucas sessões de treinos os atletas já estavam adaptadas a nova filosofia de trabalho e ao modelo de jogo que propusemos.


Hoje vivemos um futebol, que muitas vezes é “robótico”, envolve muita cópia da forma do jogar… Dentro desse contexto, existem as ideias do clube e a mentalidade do treinador, algo que você conseguiu fazer caminhar em sinergia. Quais os cuidados que um comandante precisa para desenvolver um modelo com originalidade e ainda atender as perspectivas da agremiação?
Antes de tudo precisamos saber sobre a história do clube. Sabemos que aqui no Bahia, sempre se prezou pelo jogo ofensivo, buscar o gol a todo momento, pressionar o adversário em seu campo e criar muitas chances de gol. É isso que buscamos fazer. É como gosto de ver o futebol, ofensivo, vertical e objetivo. Não podemos esquecer da consistência defensiva. Devemos olhar para frente, mas também nos cuidarmos atrás. 


O jogar com liberdade, porém com compromisso, que mencionamos pode ter sido uma das causas do bom trabalho realizado? Há algum tipo de estudo ou profissional que te inspire para ter ideias proprias?
Quando falamos de modelo de jogo cada treinador tem o seu. Com tudo procuro cada vez mais aprimorar a minha forma ideal de jogo. Temos alguns parâmetros que usamos para mensurar aspectos fundamentais do jogo. 
Quando falamos de treinadores, eu gosto muito do Jürgen Klopp desde a época do Borussia, o Roberto Martínez também fez um grande trabalho com a seleção da Bélgica nesse mundial.


Nosso portal, muitas vezes ouve um o discurso: “Formar é importante”, contudo, em clubes tradicionais, o desenvolvimento também pode caminhar conjuntamente com títulos, você provou isso na equipe Sub-20. Houve algum diferencial?
Rapaz, essa discussão rende bastante. Mas eu acredito que se você quer formar atletas vencedores, você precisa proporcionar experiências vencedoras. É, sim, importante vencer na base, não vencer a qualquer custo, mas é importante vencer!
Outro ponto interessante do título foram os confrontos diante do rival, Vitória. Aos meios de comunicação, você afirmou que os clássicos seriam equilibrados e realmente foram, mas o saldo foi positivo para o Bahia. Pode contar um pouco do ambiente ou clima gerado por jogos assim?
Realmente foram muito equilibrados, o Vitória tem uma equipe muito qualificada com um grande treinador e foram jogos muito bem estudados e equilibrados. O ambiente é sensacional, jogar clássicos é um aprendizado a cada partida, faz com que o atleta amadureça.


O calendário de base hoje, propicia jogos diante de rivais da mesma altura. Falamos de Copa do Brasil, Campeonato Brasileiro, Copa São Paulo de Juniores, sabemos que essas partidas desenvolvem os atletas, gerando um aprendizado. Mesmo para treinadores experientes, competições “duras”, propõe ensinamentos?
Sem dúvida nenhuma, é um aprendizado a cada partida. Você é testado em todos os jogos. Enfrentar as diversas escolas do futebol brasileiro faz com que a gente cresça e amadureça profissionalmente.

O Bahia tem formado bons jogadores nos últimos anos. Poderia contar um pouco da rotina de treino e da formação extra-campo diária desses jovens?
A rotina não é muito diferente dos demais clubes. Aqui os mais novos tem uma atenção especial no projeto de jovem aprendiz, que insere os garotos nas rotinas de todos os setores do clube. Os mais velhos têm o acompanhamento social, pedagógico e psicológico para seu desenvolvimento e isso vem fazendo a diferença não só na formação do atleta, como na formação do cidadão.
Além disso estamos muito próximo à equipe profissional, a integração é total. Estamos em contato diário com a comissão técnica da equipe profissional, participando dos treinos, das reuniões e dos jogos. Isso faz com que a comissão conheça mais os atletas da base.


Existem inúmeras reportagens falando sobre o desenvolvimento contínuo da comissão técnica. Suponhamos que para um atleta ser promovido ou ter sua liberação decretada, é interessante o contato ou até mesmo a participação dos treinadores nas categorias imediatamente mais jovem e mais velha. De que forma o Tricolor elabora esse planejamento?
Uma coisa excepcional aqui no Bahia é a integração entre as comissões técnicas. Estamos muito próximos uns dos outros, praticamente acompanhamos muitos treinos das outras categorias e conhecemos bem os atletas do clube. Além disso as decisões são tomadas de maneira conjunta. Claro que o treinador da categoria tem um peso maior na decisão, mas todos têm a possibilidade de expressar sua opinião e ajudar no processo de promoção ou de liberação. Tudo isso sem vaidade nenhuma.


Você tem um perfil de querer sempre algo a mais. Quais são seus objetivos pessoais e profissionais para o futuro? Há desafios em vista para o Bahia nessa sequência?
A curto prazo quero, muito, ajudar os atletas chegar à equipe profissional, propiciando experiencias vencedoras a todos eles. Pela frente temos o Campeonato de Aspirantes, a Copa do Nordeste e a Copa SP.

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