Entrevista – Geison Morais, diretor de futebol do Atlético Acreano

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Geison Morais é o diretor financeiro e de futebol do Atlético Acreano. É pelas suas mãos, conjuntamente com o presidente, Elison Azevedo que as decisões administrativas são tomadas. O talentoso Álvaro Miguéis, comanda o time dentro de campo, aliado ao suporte da sua comissão técnica, para então formar os alicerces do time celeste.
De forma exclusiva, Geison Morais nos concedeu a honra dessa entrevista para sabermos mais do time celeste.

Como se dá o planejamento financeiro de uma equipe no futebol?
Falo do Atlético Acreano, onde começamos o planejamento pelo que a gente tem a arrecadar. Cerca de 2 a 3 meses antes do início da temporada, nós fazemos o levantamento das possibilidades e trabalhamos em cima daquilo que receberemos. Não furamos isso de forma alguma, por exemplo, se temos 10 reais a receber, nossa estrutura será baseada em torno disso, para não correr riscos.

O Atlético Acreano tem honrado seus compromissos em dia, contudo, há ainda muita abertura para clubes inadimplentes agirem. Acredita que reformulação nas leis ajudariam na melhoria do futebol brasileiro?
Com essa ideia a gente tem conseguido honrar com nossos compromissos há alguns anos. Dentro da nossa realidade, pagamos todos os atletas de acordo com aquilo que é combinado, quitamos alguns compromissos de gestões anteriores ainda que estavam em aberto. Felizmente a gente vem conseguindo sanar todas essas dívidas, contudo há situações como do nosso atleta que foi negociado ano passado e a gente não recebeu o valor referente a esse empréstimo até agora. A Confederação Brasileira deveria ser mais rígida para proteger os clubes, pois quando tem algum embate com times de alto poder financeiro, existe muita desigualdade, assim há quem queira atropelar os clubes mais humildes nesse sentido.

Hoje o Atlético Acreano tem vários departamentos atuando dentro de seu cotidiano para melhorar a qualidade de desenvolvimento. Como que o Galo Carijó tem evoluído em termos de estrutura?
O Atlético Acreano era feito de poucas pessoas que amam o clube e o futebol, lutando assim pelo desenvolvimento da equipe, mas com tudo que tem acontecido com o Atlético, é importante outras coisas serem agregadas. A gente vem tentando desenvolver um trabalho de mídia e marketing, fazendo com que a imagem do clube “corra” em todo o Brasil. Hoje, isso tem ocorrido mundo a fora, principalmente a questão da imagem do Atlético Acreano, vinculando a Região Norte tão distante do país, aquém de muitas possibilidades, ao mundo do futebol brasileiro. Felizmente 
o Atlético tem conseguido isso; ser uma ponte de ligação entre o estado do Acre junto ao futebol do Brasil e Mundial.

A base do clube também tem formado bons jogadores, que já começam a despontar no cenário nacional, tanto pelo próprio Atlético, quanto por outros clubes. Podemos afirmar que o clube tem pensado em projeto e trabalho a longo prazo?
Sempre foi pensado a longo prazo. A cada ano, o Álvaro Miguéis já tende a lançar novos atletas, nessa temporada já temos 3 jogadores entre 17 a 19 anos, que já vem sendo trabalhado para gerações futuras. Assim será nossa meta, não adianta pensar que em 2019, o clube terá um elenco inchado com atletas de fora do estado, porque não é isso que vai acontecer. Vamos continuar elaborando a nossa política de contratações.

Existem próximos passos já traçados para o futuro?
Para o futuro, como eu já vinha colocando, é isso. Continuaremos o desenvolvimento dos atletas da base e também locais, manteremos o investimento no futebol acreano, pensando que esse futebol pode ser uma grande alavanca e seguiremos sonhando com a Série B do Campeonato Brasileiro.
Na realidade, a 2ªDivisão é o grande objetivo, não só do Atlético, mas de todo o Acre. Temos mais um mês para essa definição, quando descobriremos se estaremos lá ou não.

Se alcançarmos a Série B, será um grande passo para o Atlético e também para o futebol local. De qualquer forma, mesmo a Série C, com certeza já é uma grande vitrine.
A gente anseia em 2019, poder fazer uma grande campanha na Série B!

Dentro de campo o Galo sabe contratar. Tudo é feiro com critério, caminhando em uma positiva contra-mão de elencos inchados e excesso de funcionários. Qual o critério adotado para esse bom aproveitamento e integração dos reforços?
As contratações são baseadas em muitas conversas. Temos pouquíssimo dinheiro para trabalhar, mas temos muito amigos, eles indicam as pessoas para estudarmos. São 3 ou 4 pessoas responsáveis por avaliar e por último o Álvaro vê se encaixa no sistema e no clube como um todo, para tomarmos a decisão conjunta. Se acertar, acertamos todos juntos, se errar, erramos todos juntos. A ideia é exatamente que com isso a gente barateie nossas contratações. Não adianta trazer dez, mas não garantir qualidade em todos.

Você viveu momentos inesquecíveis no futebol. Títulos Estaduais, Acesso no Campeonato Brasileiro em 2017. Consegue destacar algo indescritível dentre tudo isso?
Dentro disso que o Atlético tem vivido como bicampeonato estadual, acesso na Série D, boa campanha na Série C, para mim o momento ainda indescritível, algo ainda sem superação, foi o último jogo da Série D de 2016, quando estava sentado do lado do meu amigo, Dr.Márcio Bestene, assistíamos a partida contra o Moto Club. É a imagem que não sai da minha memória, foi o último dia que estive ao lado dele pessoalmente, depois só por telefone.
O Estádio estava lotado, estávamos espremidos um ao lado do outro, conversando, perdemos o jogo por ironia do destino, mas é o momento indescritível em toda essa jornada.
Nota: Dr. Márcio Bestene Koury, médico da Chapecoense, faleceu na tragédia do avião que levava o time catarinense até a Colômbia.

O Galo tem atraído interesse de muitas pessoas, inclusive jovens e crianças. Acredita que é possivel melhorar o Mundo através do esporte em geral? Como o Atlético Acreano tem colaborado nisso na vida dos acreanos e de toda a região Norte?
Não só o Atlético, como o esporte, talvez seja uma das maiores importâncias do meio social. Inclusive no Acre, vivemos um momento de extrema miséria social e calamidade pública. A insegurança toma conta do Estado, a gente vê jovens que poderiam praticar esportes, mas simplesmente comentem crimes, assassinatos e outros horrores. Esses gestos assolam não só a nossa capital, mas todo nosso país. Nós vemos que o esporte seria uma excelente medida para que isso diminuísse.
Os campos de  pelada, onde as crianças se reuniam no final da tarde para brincar, não existem mais, pois o espaço foi tomado por prédios, praças, enfim…Os espaços foram perdidos.
Os adolescentes tem tido poucas oportunidades e no esporte a gente vê total possibilidade de inserção social.
No próprio Atlético a gente possui um Projeto Social com alguns cidadãos que estiveram em um mundo tido como “adverso”, mas que passam por uma tentativa de ressocialização, onde através do trabalho na equipe do Atlético Acreano, a pessoa passa a viver um novo mundo com novas experiências para essa reconstrução. Felizmente, temos conquistado um excelente resultado!

Álvaro Miguéis no centro, junto de membros da comissão técnica e diretoria: Elison Azevedo e Geison Morais

 

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