Ricardo Monsanto, o primeiro treinador do CD Estrela!

Srivaddhanaprabha, dono do Leicester, estava em acidente de helicóptero!
28/10/2018
Luto! Morte de Daniel Freitas choca meio esportivo!
29/10/2018

Ricardo Monsanto é o treinador do CD Estrela Seniores para a época 2018 / 2019, logo seu nome está registrado na história como o primeiro “Mister”, dos novos tempos da equipa situada na Amadora.

Novamente é bom lembrar que pela grandeza do CD Estrela, achávamos impossível qualquer tipo de contacto, que nos propiciasse a chance de falar com o presidente Rui Silva ou com o técnico Ricardo Monsanto, mas a forma profissional de trabalho em Portugal, aliada ao respeito que tentamos adquirir no país, caminhou em um bom sentido: Duas entrevistas e o orgulho por essa oportunidade!

Ricardo Monsanto, é Licenciado UEFA Pro pela Federação Portuguesa de Futebol e já trabalhou no CD Fátima, Estoril, Athlone Town (Irlanda), Sporting, Oeiras, Real, Barreirense, entre outros.

Suas habilidades e estudos, ainda propiciaram oportunidades em Gestão Desportiva, assim como Coordenador Técnico da AF Lisboa.

Ricardo Monsanto, ser treinador do CD Estrela, é a oportunidade dos sonhos? Podemos dizer que passo a passo podem crescer juntos e estar onde ambos merecem ao longo das épocas: A Primeira Liga!
Eu vi o Estrela da Amadora desde adolescente a fazer grandes campanhas na 1ª Liga, com os melhores jovens jogadores e grandes treinadores. Tive a oportunidade de relançar o Estrela e nem pensei duas vezes. Chegar à 1ªLiga é um sonho sim, este é o ano zero e se demorará 5, 7 ou 10 anos não sei, se será com o “Ricardo, o Zé, o Manuel ou o Francisco” também não sei, o que sei é que sou eu que fui o escolhido e por isso entrei na história deste enorme clube como o primeiro treinador da refundação e tenho um orgulho extraordinário nisso.

Como foi o processo de montagem do Plantel? Mesmo quando se assume uma equipa da Distrital, já há ali alguns gajos, porém nesse caso estavam a começar do zero.
Esse foi o meu maior desafio, começar do zero absoluto. O clube não tinha um único jogador sénior nesta altura e mesmo os melhores juniores já se estavam a comprometer com outras equipas, no entanto, chamei alguns jogadores que trabalharam comigo nos anos mais recentes, Fátima, Carregado, na Irlanda, etc… fiz um núcleo e lancei captações, apareceram mais de 400 jogadores a querer prestar provas, escolhi 26 e assim nasceu o primeiro plantel da história do Estrela refundado.

O Modelo de Jogo a ser utilizado influenciou nesse recrutamento de atletas? Alguns campos que fogem as dimensões, outros com a relva “ruim”. Esses factores também influenciam na forma de jogar?
Normalmente o treinador chega a um clube, analisa as características dos jogadores, e a partir daí constrói uma ideia de jogo. Aqui não existiam jogadores, então o que fiz, sabendo que farei 50% dos jogos da época aqui na Reboleira, no Estádio José Gomes: Construí uma equipa para jogar um futebol apoiado de bola no chão e pé para pé. Isso vai trazer alguns constrangimentos nos jogos fora, nas “caixinhas de fósforo” ou nos sintéticos em pior estado, também era mais fácil e mais rápido pôr uma equipa a jogar de pontapé para a frente, do que entrosar completamente do zero 26 jogadores que não se conheciam de lado nenhum, mas não abdiquei disso e sei que a primeira volta vai ser de crescimento, mas quero chegar a Janeiro e ser a equipa que pratica o melhor futebol do campeonato.

Dentro desse processo seletivo, há informações de uma parceria com a academia Valeo FC, poderia nos contar um pouco sobre esse acordo e como ele é positivo para as duas equipas?
Fizemos uma parceria com a Valeo, o que nos permite trazer por cá e lançar jogadores nos campeonatos portugueses, os jogadores chegam, passam por um período de adaptação, que pode ser de um mês ou mais e depois lançamos em divisões superiores às que disputamos actualmente, também os nossos jogadores podem podem ir a Boston durante a época, em especial nas interrupções de campeonato para prestar provas e abrir portas no mercado norte americano. A Valeo tem sido uma parceria fundamental para este projecto resultar.

Mesmo com a volta recente do CD Estrela, os outros clubes parecem jogar uma final de campeonato para “roubarem” pontos. Como trabalhar essa situação em todas as jornadas? Acredita que essa atmosfera pode trazer alguma pressão sobre os jogadores?
Sentimos isso todos os jogos, contra nós, todos os adversários disputam autênticas finais e vestir a camisola tricolor coloca-nos uma pressão em cima que não é normal nestas divisões, mas temos os pés bem assentes no chão, sabemos que neste ano zero nem pré-época tivemos, basicamente houve um processo de triagem e recrutamento de jogadores, cujo o grande objectivo era construir uma base para o futuro, esse aspecto foi alcançado, agora sim temos condições de começar a evoluir e nas minhas contas, quando chegarmos a Janeiro estaremos prontos para fazer uma segunda volta de campeonato sem espinhas. Na recta final do campeonato o milagre da subida mesmo no ano zero, quem sabe poderá acontecer.

A época está ainda no seu início. É possível ter uma estimativa em qual parte da tabela o CD Estrela irá lutar e os possíveis concorrentes que tenham os mesmos objectivos?
Quero chegar ao mês de Janeiro na primeira metade da tabela, nos oito primeiros, pretendo chegar a Maio em condições de disputar os 3 primeiros lugares que são aqueles que podem dar acesso à subida de divisão. Tendo em conta aquilo que não foi a pré-época da equipa, é assim que vou gerir os momentos de forma colectiva, em crescimento e através de periodização táctica.

A Periodização Táctica marcou uma renovação do futebol. Os treinos descontextualizados ou “inspirados” no atletismo são cada vez menos utilizados. Há alguma forma de convencer aqueles que não abdicam desses treinamentos físicos tradicionais que a Periodização Táctica consegue abranger as questões físicas de forma específica?
Os resultados estão à vista, Mourinho levou a periodização táctica do Porto, Campeão Europeu, para Inglaterra e foi campeão por 3 vezes no Chelsea, levou-a também para Espanha, Itália, onde voltou a ser Campeão Europeu com a Internazionale. Leonardo Jardim levou-a para França e foi campeão com o Mónaco contra um super PSG. Pep Guardiola anda a espalhar periodização táctica à anos, Barcelona, Bayern, Manchester City. Acho que já não existem dúvidas que esse é o caminho do futuro.

Nos níveis Distritais, quando ou se não houver hipóteses de treinar todos os dias, há algum “ajuste” a se fazer?
Existe sempre e infelizmente o nosso ginásio ainda está a ser recuperado e não temos acesso a ele por enquanto, vai ficar resolvido brevemente, ao contrário do que se quis fazer parecer inicialmente, trabalhar em periodização táctica não impede o facto de ir ao ginásio, em especial no que diz respeito a correcção muscular e prevenção de lesões. É uma coisa que ainda não estamos a conseguir trabalhar, mas que está a ser resolvida.

Ainda tendo uma limitação de conteúdos nessa divisão, como vídeos, imagens e transmissões dos adversários, porque em geral, os jogos não são transmitidos, como estudar e se preparar diante desses oponentes?
Como os nossos jogos são todos filmados pelas TV’s locais, TV Amadora, WTV, etc… os nossos adversários têm sempre excelentes imagens, jogos completos e de boa qualidade para nos estudar ao pormenor. Esse é um obstáculo que estamos a contornar, pois temos o nosso observador técnico, André Vale, que nos filma os jogos dos adversários e analisa aquilo que vamos encontrar, pelo menos nesse aspecto nos coloca em igualdade com os adversários.

Agradecemos muito a oportunidade dessa conversa e do ensinamento que propiciou a todos nós!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *