O caminho para as próximas edições do Campeonato do Mundo de Futebol está a ganhar um novo fôlego, com desenvolvimentos significativos tanto na Europa como nos Estados Unidos. Enquanto Portugal se prepara para receber os inspetores da FIFA que irão avaliar as infraestruturas para 2030, a cidade de Filadélfia, uma das sedes do Mundial de 2026, acaba de oficializar parcerias estratégicas que prometem injetar milhões na economia local.
Inspeções técnicas nos estádios portugueses
Em Portugal, a contagem decrescente para o Mundial 2030 — que será organizado em conjunto com Espanha e Marrocos — entra numa fase crucial. Entre os dias 26 e 27 de maio, uma comitiva de técnicos da FIFA desloca-se a solo nacional para vistoriar os recintos dos chamados “três grandes”. A visita, curiosamente, coincide com o fim de semana da final da Taça de Portugal, disputada entre o FC Porto e o Sporting.
Atualmente, apenas o Estádio da Luz, o Estádio de Alvalade e o Estádio do Dragão reúnem os requisitos de capacidade mínima exigidos pelo organismo que tutela o futebol mundial para acolher jogos desta envergadura. Estas vistorias são o passo que falta para que António Laranjo, responsável pela comissão organizadora, possa finalmente concluir o estudo económico detalhado sobre o impacto do torneio no país.
É importante recordar que, embora o núcleo central da prova se situe na Península Ibérica e no Norte de África, a edição do centenário terá um arranque simbólico na América do Sul. Três partidas iniciais terão lugar no Uruguai, Paraguai e Argentina, sendo Montevideu o palco de uma celebração única que assinala o local onde se realizou o primeiro Mundial da história.
O modelo de negócio em Filadélfia para 2026
Do outro lado do Atlântico, os preparativos para o Mundial de 2026 já estão numa fase mais avançada de comercialização. A organização “Philadelphia Soccer 2026” anunciou recentemente um grupo de oito entidades de peso que atuarão como apoiantes oficiais da cidade-sede. Entre os nomes confirmados encontram-se gigantes como a Comcast, a Independence Blue Cross e a Penn Medicine, além da fundação filantrópica William Penn.
Este modelo de parceria reflete uma mudança na estratégia da FIFA. Se outrora o organismo mantinha um controlo férreo e exclusivo sobre a publicidade, nos últimos anos passou a permitir que as cidades-sede procurem investimentos locais para ajudar a mitigar os custos operacionais. Em troca de um compromisso financeiro que, segundo consta, ronda os 5 milhões de dólares por entidade, estas empresas ganham o direito de exibir as suas marcas no estádio (que será temporariamente rebatizado como Philadelphia Stadium) e de organizar eventos no “FIFA Fan Fest” em Lemon Hill.
Impacto económico e legado comunitário
A expectativa em Filadélfia é enorme, prevendo-se uma afluência superior a 500 mil visitantes. As projeções apontam para um encaixe financeiro de quase 770 milhões de dólares para a cidade, que irá acolher cinco jogos da fase de grupos e um decisivo encontro dos oitavos de final em pleno 4 de julho, dia da independência dos EUA.
Para além dos números, há uma preocupação latente com o legado. Organizações como a William Penn Foundation sublinham que o investimento não visa apenas o brilho do torneio, mas sim a melhoria a longo prazo das instalações desportivas comunitárias e de espaços públicos como o parque de Lemon Hill. No setor da saúde, a Penn Medicine assume-se como o prestador oficial de serviços médicos, encarando o evento como a maior responsabilidade logística alguma vez enfrentada pelo sistema de saúde da Pensilvânia.
Estes movimentos, tanto em Portugal como nos Estados Unidos, demonstram que a organização de um Mundial hoje em dia vai muito além do que acontece dentro das quatro linhas, envolvendo um planeamento logístico e financeiro que começa muitos anos antes do apito inicial.